Um balanço

Com a posse de Jair Bolsonaro no cargo de presidente da República, boa parte da população ingenuamente imaginou que, com o PT longe do centro do poder e condenado a um longo exílio, os problemas do país já eram, e dali pra frente tudo seria um céu de Brigadeiro com muita harmonia e prosperidade. Ledo engano.

Ao ser eleito, Bolsonaro não passava de um ilustre desconhecido para a maioria da população, tendo sido escolhido pelo seu potencial de varrer as esquerdas do cenário político, ajudado pela facada de um lunático a atentar contra a sua vida.

Uma vez entronado, não tardou em revelar sua verdadeira face: a de um desatinado e inconsequente fundamentalista ideológico, que adora encrencas e não consegue conviver com a paz e harmonia, além de ser dono de uma língua solta que não para de colocar o governo e o país em situações constrangedoras. Em momento algum passou por sua cabeça promover a reconciliação nacional: entrincheirou-se na extrema-direita do espectro político, e passou a taxar de comunistas e inimigos da nação todos aqueles que não assobiavam a sua cantilena.

Seu autoritarismo, no entanto, não deixou de encantar alguns setores que, com o senso crítico em ponto morto, passaram a seguir cegamente seu “Salvador da Pátria”, único antídoto viável para salvar a pátria do “iminente golpe comunista e do odiado marxismo cultural, que supostamente permeia nossa sociedade”.

Em seu primeiro ano, Bolsonaro já mostrou que não está à altura do cargo que exerce e não consegue desempenhar suas tarefas com o decoro que o cargo exige. A racionalidade não tem mais vez e análises, debates e argumentos foram substituídos por ofensas pessoais e difamações. Continua em campanha eleitoral e Lula e Dilma são figuras presentes em seu universo político do dia a dia, podendo passar a impressão de que a popularidade de seu governo só se mantém falando mal e esmiuçando os pecados dos governos petistas que o antecederam.

A sua pauta mais recente é a suposta fraude nas eleições presidenciais de 2018: pretende provar que poderia ter faturado a eleição já no primeiro turno. Fica a pergunta: e daí? Com preocupação anoto a feroz luta pelo poder dos influentes segmentos que fazem a cabeça do presidente: militares, os reacionários olavistas e os evangélicos. Não acredito que religião e política resultem num produto palatável, como também alimento a convicção de que as Forças Armadas devem servir ao Estado e jamais a um governo.

Mas virão mais novidades por aí: o presidente já sinalizou que nas próximas eleições presidenciais poderá convidar para ser sua vice a ministra Damares, aquela do tête-à-tête com Jesus na goiabeira. Se vingar, fio dental vai dar cadeia e o bispo Edir Macedo certamente vai querer comprar a Igreja Matriz. Entre outras coisas.

O PIB de 2019 acaba de ser publicado: um mirrado 1,1% em vez do 2,5% projetado. Grandes demonstrações estão programadas para este fim de semana: louvor ao mito e execração do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, vilões da vez, que supostamente impedem Bolsonaro de governar como quer. Ainda bem!

Gostar ou detestar passa a ser secundário, pois como brasileiros responsáveis não nos resta outra alternativa do que suportar este eleito pelo povo até o fim de seu mandato, abjurando os seus constantes ataques à Democracia, mas apoiando com vigor as reformas econômicas da equipe de Guedes, essenciais para o desenvolvimento do país.

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