A nossa imobilidade

Não faz muito lia-se, nas páginas deste jornal, que a secretaria municipal responsável pela Mobilidade Urbana convocara as lideranças de vários bairros da cidade, com o propósito de colher ideias e sugestões para a elaboração do projeto que deverá definir a mobilidade urbana em nossa cidade.

Passaram-se semanas, mas até o momento nada mais se ouviu sobre o andamento deste projeto importante que deverá influenciar diretamente o ritmo diário da população brusquense.

Sabe-se que a elaboração de um plano de mobilidade para a cidade é uma tarefa ingrata, levando-se em conta as nossas ruas e ruelas, bem como uma infraestrutura precária ou inexistente.

O aumento incessante de veículos motorizados em nossas ruas pressiona o poder público a regulamentar a matéria, antes que a cidade afunde no caos, num futuro não muito longínquo.

Fundamental para a efetividade de qualquer projeto será a resposta à pergunta: como estará a nossa cidade em cinco ou dez anos? E creio que o projeto deverá apresentar tamanha abrangência que também o torne apto a resolver os problemas da próxima década.

Um transporte coletivo mais confortável talvez possa seduzir alguns brusquenses a deixar o carro na garagem. Afinal, em Paris, Londres e Nova Iorque, ricos e pobres vão ao trabalho de metrô.

A dramática falta de espaço para estacionar seria outro fator a impulsionar meios de transporte alternativos, dos quais a bicicleta desponta como favorita. Em nossa cidade, o uso da “fininha” aumentou consideravelmente, mas seus usuários estão expostos a graves acidentes, principalmente nas movimentadas Otto Renaux e Rio Branco, desprovidas de ciclovias.

Viadutos e túneis deverão fazer parte da paisagem, mormente nos pontos nevrálgicos como as rótulas da Aradefe e dos Bombeiros. Uma multinha para pedestres desatentos também contribuiria para um melhor fluxo de nosso trânsito.


O desmonte
Mais uma vez fomos obrigados a presenciar o triste ataque à identidade cultural da cidade, ou seja, o desmonte do casarão da familia Bauer, na esquina da Rio Branco com Otto Renaux. Como de praxe, as escavadeiras agiram sorrateiramente na calada da noite, e num piscar de olhos reduziram a escombros 150 anos da história de nossa cidade.

É realmente lamentável constatar o desdém com que o poder público trata o nosso patrimônio histórico, o inverso do que se observa em Blumenau e Itajaí.

Lamentável também a incapacidade de nossas autoridades de estabelecer regras claras, objetivas e justas para a preservação de tudo aquilo que é importante para a identidade cultural da cidade.

Durante a última década, só presenciamos demolições e a cidade, privada de seus magníficos casarões erguidos nos primórdios do século XX, acabou perdendo sua atmosfera, seu clima e sua referência cultural, ficando reduzida a um amontoado de prédios em estilo “caixote”, amenizado recentemente, quando engenheiros e arquitetos resolveram valorizar um pouco mais a estética das suas criações arquitetônicas.

Deveras frustrante a inépcia do poder público com a herança cultural da cidade. Os prognósticos da política municipal, por sua vez, não nos dão a menor esperança de que algo de relevante possa trazer mudanças num futuro próximo.


Troca de comando
Rosemari Glatz, professora, historiadora e escritora, foi solenemente empossada na função de reitora da Unifebe, juntamente com o seu vice-reitor, o professor Sergio Fantini.

Professora Rose substitui o Dr. Gunther Lother Pertschy, à frente da universidade por duas gestões.

A nova comandante da Unifebe fez do aluno o seu cavalo de batalha, bem como a qualidade de ensino e o equilíbrio financeiro da instituição.

Conhecida por seu senso analítico, sua ponderação, pragmatismo e bom senso, a nova reitora não fechou a portas ao dinamismo, e tem tudo para tornar-se um Mourão de saias!

Que a boa sorte a acompanhe!

Artigos Semelhantes

  • O que nos espera

    Com as eleições municipais batendo à porta, a elite política começa a mexer-se para decidir “quem vai, e com quem” na disputada maratona ao poder. Aqui na terrinha, um eleitorado mais politiqueiro do que politizado ainda não se permitiu maiores entusiasmos, possivelmente porque os partidos políticos ainda se encontram na fase de definição de candidaturas….

  • Procura-se um vice

    Outubro já está aí e as convenções partidárias encontram-se em estado de total ebulição, seja para formalizar as candidaturas do partido ou engendrar eventuais coligações que lhes aumente o tempo de exposição no horário eleitoral e lhes amenize a desgastante escalada ao poder. Pelo que podemos observar, o PT ainda está reticente, aguardando uma definição…

  • A união faz a força

    Na formação de seu governo, Jair Bolsonaro nunca demonstrou preocupação maior com a qualidade técnica ou intelectual de seu primeiro escalão e, com exceção de Paulo Guedes e Sergio Moro, suas escolhas sempre foram ideológicas, mormente ultraconservadoras e preferencialmente pinçadas das cristaleiras das casernas e do campo religioso. Como resultado, postos chaves para o desenvolvimento…

  • Câmara na marcha à ré

    Definitivamente frustrante em nossa Câmara de Vereadores o movimento em torno da não aprovação do projeto de lei que visa proibir os legisladores eleitos de licenciar-se do mandato para assumir um cargo remunerado junto ao poder Executivo, ou seja, a prefeitura. De autoria da vereadora Ana Helena Boos, o projeto sustenta-se pela busca do aprimoramento…

  • Os desafios e o perfil desejado para o próximo prefeito de Brusque

    Com a aproximação das eleições municipais de outubro, os brusquenses vão lentamente abandonando seu habitual letargia, para esquentar a moringa com um fundamental ponto de interrogação: quem vai estar no páreo para administrar nossa cidade a partir de janeiro de 2021. Vários nomes já circulam como candidatos ungidos ou cogitados, alguns verdolengos, outros com a…

  • Um novo capítulo

    Felizmente as eleições de outubro já viraram história. Sem dúvida, estava mais do que na hora, pois ninguém aguentava mais a lavação de roupa suja dos candidatos e muito menos as baixarias de seus seguidores nas redes sociais. As eleições foram “sui generis” e inovadoras: sumiram os palanques, que foram substituídos pela mídia eletrônica e…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *