Turbulências de maio

O mês de maio iniciou-se a todo vapor, prometendo agitos políticos, recheados de surpresas e emoções. Já no primeiro dia do mês, os bolsonaristas lançaram-se às ruas para solidarizar-se com seu mito e defender as jóias da coroa, intervenção militar com o próprio no trono, deposição imediata dos odiados togados do Supremo Tribunal Federal e o inconcebível retorno do voto impresso, retrocesso copiado do ex-presidente americano Trump. Não deixou de ser uma surpresa o elevado número de participantes nas demonstrações.

Enquanto isso, Lula almoçava com Sarney e percorria a capital federal em busca de alianças e apoios, o que me levou a abarrotar de velas a gruta da Santa na Azambuja, com o veemente pedido de nos ajudar na procura de um candidato presidencial do centro, educado, honesto, ponderado, culto e pragmático para nos libertar deste fanatismo ideológico de esquerda versus direita, que robotizou os brasileiros, divide o país e nos priva da paz social.

A recém instalada Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI sobre Covid-19 promete, e deverá lançar luzes sobre a condução desta tragédia sanitária que já custou mais de 400 mil vidas ao país, além de nos fornecer uma visão do combustível que movimenta o governo Bolsonaro na administração do país.

Confesso que levamos um baita susto ao tomar conhecimento, pela coluna do sempre atualizado Raul Sartori, que o PTB catarinense ofertará a candidatura de governador do estado ao ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, discípulo de Olavo de Carvalho e uma das peças mais reacionárias da cristaleira de Bolsonaro. 

O imbróglio estava sendo arquitetado e abençoado inteiramente por Roberto Jefferson, aquele condenado pelo mensalão e atual presidente do PTB nacional e fiel aliado do presidente.

De imediato, tripliquei as velas na gruta e, ao que tudo indica, estamos sendo ouvidos, pois o eventual futuro governador já declinou do convite, com a alegação de desconhecer o estado. Aleluia.

Notícia que continua dando manchetes é a peregrinação do polivalente empresário local Luciano Hang à longínqua Rondônia, para solidarizar-se com seu mentor Jair Messias, presente neste fim de mundo para inaugurar a ponte de Abunã sobre o rio Madeira, ligação direta entre os estados de Rondônia e Acre.

O sacrifício valeu-lhe um convite de Bolsonaro para um badalado passeio pela recém-inaugurada obra e espera-se que o brusquense tenha aproveitado a estratégica posição na garupa da motoca presidencial, para plantar naquela mítica orelha, desimpedida de capacete e máscara, uma frase deveras importante para a cidade: “Nós também temos uma ponte que gostaria de ser reinaugurada…”

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