Desmontando a Lava Jato

Quem observar com a devida atenção o cenário político nacional, de imediato chegará à conclusão de que a bola da vez está com a operação Lava Jato que, ao que tudo indica, está com os dias contados, o que obriga os brasileiros bem intencionados a empenhar-se na procura de uma UTI salvadora, para livrá-la da agonia em que se encontra. 

No comando da operação de desmonte encontramos o procurador-geral da República, Augusto Aras, homem de confiança do presidente da República, e por ele alçado ao cargo, fora da lista tríplice eleita pela categoria. Todos concordam com a tese de que o objetivo primordial de Aras é esvaziar as Forças Tarefas de Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro para centralizar toda a operação em Brasilia, obviamente tudo sob o seu controle.

Argumenta que “teria chegado a hora de corrigir o rumo para que o lavajatismo não perdure”. Alinhado politicamente a Bolsonaro, Aras deverá facilitar, sistematicamente, as coisas para seu chefe que, com telhado de vidro em função das inúmeras mutretas de seus familiares, não tem o menor interesse na eficácia e bom funcionamento da operação Lava Jato. 

Além do mais, Bolsonaro quer agradar aos seus novos aliados políticos, os parlamentares do Centrão, a maioria com o rabo preso e assíduos réus nos processos anticorrupção do órgão. Também o Partido dos Trabalhadores aplaude entusiasticamente a diluição do poder de fogo das Forças Tarefas, pois ainda não conseguiu digerir a condenação de Lula e da cúpula do partido.

Fundamental para compreender o silêncio presidencial nesta “operação desmonte” da mais importante, eficiente e produtiva operação anticorrupção que já aconteceu neste país é o seu firme desejo de minar a popularidade do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, seu eventual opositor nas eleições presidenciais de 2022, revelando os inúmeros abusos que a Lava Jato certamente cometeu.

Para alijar Moro definitivamente do páreo querem aprovar uma lei que impõe uma quarentena de oito anos para que ex-juízes e ex-membros do Ministério Público possam disputar uma eleição. Oportunismo escancarado!

Esta nada ortodoxa coligação em favor “do Brasil de ontem” não deixa de ser bizarra, pois reúne os fanáticos adoradores do “mito” de mãos dadas com a não menos fanática soldadesca Lulopetista, todos agarradinhos no centrão, sob os olhares benevolentes de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, que também não morrem de amores por Moro e pela Lava Jato. 

Com sua anuência tácita ao desmonte da Lava Jato, Bolsonaro enterra definitivamente as suas promessas de campanha de tornar-se o “Salvador da Pátria” e símbolo de uma “nova política” de anticorrupção e moralização da “res pública”, pois ao aliar-se ao questionável centrão optou pelo Brasil de ontem, pela velha política, incorporando de corpo e alma as regras e costumes do sistema político vigente. 

Em nome da coerência e honestidade caberia completar o seu “Brasil acima de tudo” com “…depois de garantidos os meus interesses pessoais”.

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