Judiciário é um grande queijo suíço

A semana que passou trouxe de volta a emblemática figura do cacique Ciro Roza que, conforme decisão do Supremo Tribunal de Justiça, volta livre, leve e solto para a vida política brusquense, pronto para o que der e vier. É natural que o seu súbito e inesperado reaparecimento tenha causado “frissons”, mas o poder público, aparentemente, não se abalou, tendo o prefeito comunicado que “estaria pensando”!

Definitivamente considero sempre mais estranhas as decisões de nossos tribunais, que conseguem julgar a mesma causa num curto espaço de tempo, chegando a decisões diametralmente opostas. Assim, o que hoje for julgado preto, amanhã poderá virar amarelo, tudo dependendo da interpretação do magistrado.

Vejo o nosso sistema jurídico como um grande queijo suíço: repleto de orifícios aproveitados pela bandidagem para escapulir para a impunidade.

Creio que boa parte dos brasileiros deixou de confiar em nossa Justiça. Casos como a prévia libertação da parricida Suzane von Richthofen e do goleiro Bruno, que matou a amante e mãe de seu filho e só cumpriu um terço de sua pena, remetem os brasileiros a um permanente estado de desalento, que somente uma profunda reforma de nosso sistema Judiciário poderá alterar.


Turismo desprestigiado

Não resta a menor dúvida de que ao extinguir a Secretaria de Turismo, incorporando-a a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, a administração municipal deixou muito claro a importância menor que atribui ao Turismo em nossa cidade, dando-se por satisfeita em manter no cardápio o turismo de compras, a Fenarreco, o Festival de Cucas, a Fenajeep, o parque das Esculturas e alguns eventos menores. A meu ver, no entanto, este recheio não é suficiente para que Brusque se torne um polo turístico de verdade.

Urge que a cidade produza um “Plano de Turismo” supra partidário e de prazo ilimitado que otimize e regulamente a nossa infraestrutura, mobilidade urbana, restaurantes, confeitarias, museus, locais turísticos, sinalização, enfim, tudo aquilo que possa interessar aos turistas, tornando sua estadia mais prazerosa e nossa cidade mais atraente e competitiva na conquista dos turistas que visitam a região.

Turismo bem conduzido significa comércio movimentado, restaurantes lotados e leitos de hotel ocupados. Ainda não é tarde demais para que o poder público municipal encare o turismo com maior carinho e apreço. São os nossos votos.


Retrocesso

Ao que tudo indica, o deputado federal Valdir Colatto, do PMDB catarinense, deve estar tranquilo e nada preocupado com o que acontece em nosso sofrido país, pois não encontrou nada mais importante para fazer do que apresentar um projeto de lei que – pasmem – pretende trazer de volta e regulamentar a caça de animais silvestres, proibida em território nacional desde 1967. Triste, lamentável e totalmente descabida esta iniciativa.

Recordo-me dos meus tempos de infância, quando percorríamos pastos e colinas, munidos de fundas e clapas, à procura de sabiás, canarinhos e saíras, para povoar as nossas gaiolas. Felizmente os tempos mudaram, pois ambientalistas e educadores conseguiram incutir nas novas gerações o respeito e o amor pela natureza, especialmente pela fauna, que dela faz parte.

Agora, eis que surge este deputado, que nada mais útil e inteligente consegue propor do que a reintrodução da caça, sua regulamentação bem como a comercialização de animais silvestres. Propõe, outrossim, multas mais brandas para caçadores infratores.

Alertam os ambientalistas que a volta da caça produziria resultados catastróficos para a fauna em geral e condenaria à extinção certas espécies como veados, onça pintada e pacas. Uma verdadeira tragédia.

Para chegar a plenário da Câmara, o projeto terá que passar por três comissões especiais, que deverão analisá-lo. Esperamos que os deputados envolvidos tenham mais juízo e bom senso que o autor deste infeliz projeto.

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