Pornografia na escola: perigo real ou imaginário?

Nas idas de 2017, a Câmara de Brusque apreciou e aprovou um projeto de autoria do vereador Paulo Sestrem que viria a ser conhecido como “Lei da Criança sem Pornografia”, que visava preservar a moralidade nas escolas, bem como resguardar os alunos de ideologias que visassem destruir nos valiosos valores familiares adquiridos. Obrigavam, outrossim, as instituições de ensino a submeter à aprovação dos pais. O material didático a ser utilizado com os alunos.

Na semana que passou, não deixou de causar surpresa o ajuizamento pelo Ministério Público de Santa Catarina de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade com o objetivo de anular a dita “Lei da criança” sob a alegação de que não seria da competência de um vereador propor este tipo de legislação

O vereador Sestrem argumenta que seu projeto se sustenta num profundo temor da população de que suas crianças sejam vítimas precoces de ideologias nefastas como “tudo é normal”, tão em voga nos dias de hoje. Não creio que estes temores tenham fundamento pois não posso admitir que um Ministério da Educação tenha elaborado a educação sexual de seus jovens com o objetivo de destruir valiosos valores familiares.

Esta visão dos fatos mais parece uma leitura do grupo político no poder, respaldado por uma onda conservadora pentecostal que tomou conta de significativas camadas da população e ameaça resgatar a cegonha de sua aposentadoria para recolocá-la na posição que ocupou durante séculos.

O mundo muda muito e nossa escala de valores não consegue administrar com e necessária eficiência as drásticas mudanças na área dos costumes: os casamentos de homem com homem, mulher com mulher, mulheres sendo mãe aos cinquenta anos, para dar alguns exemplos. Uma nova realidade que nos deixa inseguros, e que não temos que aplaudir mas somos obrigados a aceitar.

Não tenho a menor dúvida de que uma saudável educação sexual nas escolas é de importância fundamental para a formação das futuras gerações, sem manipulação política e administrada com responsabilidade máxima por psicólogos, pedagogos e médicos.

Para iniciar, seria muito útil definir o que é pornográfico e o que é didático.

Os caras de pau
Definitivamente inacreditável que após a avassaladora devassa de uma operação como a Lava Jato e da eleição de um presidente da República que, na condução da “Res Pública” se diz totalmente comprometido com a transparência e a integridade, continuemos sendo confrontados com primaríssimas “mutretas” de enriquecimento ilícito, com um modelo por demais praticado em governos anteriores.

Aproveitando-se do sufoco causado pela pandemia que tomou conta do país, políticos do alto escalão em vários estados, inclusive o nosso, muitos tendo sido eleitos pela sigla presidencial, meteram-se a superfaturar equipamentos importados e essenciais no combate do vírus, numa inquestionável demonstração de caras de pau.

Fica a pergunta: nosso país ainda tem jeito? Quanto aos envolvidos nas falcatruas, conquistaram o diploma de “Burros do Ano”, pois envolver-se em roubalheiras nestes tempos de polarização política, quando jornais e TVs estão à espreita em todos os cantos, é pedir para passar uma boa temporada no xilindró.

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