Nosso centro de eventos

Por meio das páginas de nosso O Município, tomamos conhecimento dos planos da Prefeitura de Brusque que, ao que tudo indica, aprovou a construção de um novo pavilhão de eventos, anexo ao já existente Maria Celina Imhof, com o intuito de “proporcionar um maior conforto ao público visitante”, segundo palavras do diretor de Turismo Norberto Maestri, o Kito.

Não deixa de ser louvável a preocupação do poder público com o bem-estar dos que nos visitam, pois são eles que contribuem, decisivamente, para o progresso do município.

Por outro lado, não deixa de ser injusto abandonar à própria sorte os milhares de cidadãos brusquenses que moram nas cercanias do centro de eventos, que também contribuem para o progresso da cidade através de seus impostos, mas são penalizados, com regular frequência, ao suportar aquelas majoritariamente horrendas manifestações musicais, que se prolongam madrugada afora (ou adentro).

Não deixa de ser este um dos motivos que me fazem encarar com extrema reserva à ampliação do centro de eventos no Centro da cidade, pois agravaria sensivelmente a já periclitante situação de desconforto dos que habitam as cercanias.

Quando o Centro foi concebido e construído, o local era ermo e periférico, ideal para a celebração das festividades do calendário turístico da cidade. Com o passar dos anos, no entanto, a cidade foi crescendo, desenvolvendo-se para todos os lados, e o que era periferia, virou centro, com inúmeros prédios residenciais, comerciais e hotéis que hospedam os que nos visitam.

Não temos dúvida de que esta nova realidade na densidade populacional do bairro deveria motivar a prefeitura a reestudar, com absoluta seriedade, o futuro do atual centro de eventos, levando em consideração não somente as necessidades dos promotores dos eventos, mas também os interesses dos pobres coitados que moram nas imediações.

Durante a sua infância e juventude, o Celina Imhof abrigava a Fenarreco, e vez por outra eventos menores como os “arrasta-pé” da terceira idade, todos comportados e controláveis, bem diferentes daquilo que o público curte nos dias de hoje.

Algo me diz que os mega eventos na cidade já começam a sentir-se tolhidos no acanhado e limitado espaço físico do Celina Imhof, principalmente em função da multidão que costuma prestigiar os acontecimentos. Talvez seja este o momento certo para desengavetar o projeto da administração Paulo Eccel, que planejava transferir alhos e bugalhos para a Vila Olímpica, na localidade de Volta Grande.

Temos certeza de que um novo centro de eventos fora da área central da cidade proporcionaria aos mega eventos como a Fenajeep e Brusque Motorcycle, ambos de cunho internacional, uma infraestrutura mais condizente com as suas necessidades e à altura das expectativas dos milhares de aficionados que acorrem aos eventos.

O Celina Imhof, por sua vez, poderia ser transformado num centro de congressos. Creio que valeria a pena meditar sobre o assunto.

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