Um mini tsunami cultural

Nos primeiros dias de março, a nossa cidade, habitualmente parcimoniosa com acontecimentos culturais, viu-se subitamente tragada por um mini Tsunami de eventos, que além de fazer a festa dos que valorizam prazeres espirituais, deixou em estado de graça aquele microscópico segmento da sociedade, sedento por momentos de uma cultura mais polida e elitizada.

A maratona teve início ao cair da tarde de quinta-feira, dia 10, quando Rosemari Glatz, professora, historiadora e reitora da Unifebe, apresentou num auditório da instituição universitária a sua mais recente obra literária “Política, Poder e Fortuna”, nuances da vida do ilustre cidadão brusquense, Cônsul Carlos Renaux, que todos conhecem pelo nome, mas poucos estão familiarizados com sua atuação na política, na área empresarial e na filantropia, e cujos 160 anos de nascimento estão sendo comemorados no mês em curso.

Figuras importantes da vida política e cultural se fizeram presentes, como Ari Vequi e Valmir Zirke, prefeitos de Brusque e Guabiruba, respectivamente, Eliani Buemo, nossa secretária da Educação, Otto Grimm, diretor do Colégio que mantém o nome do homenageado, o desembargador Carlos Prudêncio, Juliano Mazzola, embaixador permanente nova trentino, junto aos eventos culturais brusquenses e uma legião de pensantes, que literalmente abarrotou o auditório, definindo o sucesso desta bem sucedida noitada literária.

Para o dia seguinte, sexta feira, 11, data do nascimento do Cônsul, programara-se um almoço “en petit comitè” na Vila Goucky, residência oficial do homenageado, e situada nas colinas da Primeiro de Maio.

À mesa, importantes descendentes do aniversariante, como o neto Gerd Gommersbach, a bisneta Astrid Renaux e o tataraneto Victor Renaux Hering. Além de Jorge Paulo Krieger Filho, presidente do Clube Filatélico local, que aproveitou a ocasião para lançar, juntamente com os Correios, um selo comemorativo em homenagem aos 160 anos do nascimento do ilustre concidadão. Também estiveram presentes Zane Marcos, superintendente para Fundação Cultural, Rita de Cassia Conti, presidente da Acibr, e Claudio Schlindwein, diretor geral do jornal O Município. O primoroso cardápio e o serviço impecável, foram obra e arte da equipe do Casarão Garibaldi.

Na manhã seguinte, sábado, 24, parto cedinho para a Livraria Graf, local do próximo evento, para encontrar uma colmeia em polvorosa, pois logo adiante, às 10h em ponto, seria inaugurada a Retrospectiva da artista plástica Frieda Germe. Mostra que, sob a curadoria de Zane Marcos, se revelaria um retumbante sucesso de público.

Aloisius Lauth, nosso renomado historiador brusquense, discorreu com maestria sobre a vida e obra desta polivalente Frau Germer, como era conhecida, que além de esposa, mãe de uma numerosa prole, cultivava, com sucesso, ensaios empresariais. Além de nos legar esta importante coletânea “naif”, que nos dá uma boa ideia da Brusque d’outrora. Presentes nesta gostosa manhã de arte, Edla e Erica, filhas desta impoluta artista.

A chave de ouro camoniana da Maratona Cultural rolaria no domingo, 12, quando a icônica cidadã do mundo, poliglota, escritora, cantora lírica e matriarca de um ativíssimo clã, Helga Erbe Kamp, recebeu para almoço familiares e pouquíssimos amigos, para comemorar os seus bem vividos e aproveitados 90 anos. Após um lauto almoço, muitos “ Prosits” e um dueto operístico, a aniversariante anunciou o lançamento de livro “Crônicas de Micki”, ocorrido nesta quinta-feira, 24.

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