O cataclisma do Centro

A imprensa nos trouxe a boa nova de que em breve a administração municipal daria o seu aval à construção de quatro novas pontes na cidade, com o objetivo maior de otimizar a nossa massacrada mobilidade urbana.

A notícia não deixou de causar um considerável impacto nos 134 mil brusquenses que, ainda sensíveis e cautelosos quando se fala de pontes, não hesitaram em formar, de imediato, lulistas e bolsonaristas de mãos dadas, uma corrente de pensamento positivo, para garantir que a empresa vencedora da licitação fosse reconhecidamente “top” em cálculos de engenharia.

Concomitantemente, nos chega a notícia de que Zane Marcos, diretora de Cultura do município, alimenta o plano de dotar Brusque com um Museu de Arte Contemporânea, não de imediato e possivelmente com recursos federais. Corajosa, a moça.

Não poderíamos deixar passar está forte mas momentânea lufada de pioneirismo que no momento envolve a cidade, sem lembrar a quem compete de que lá na Volta Grande se encontra, esquecido e abandonado, o “Complexo Chico Wehmuth”, parido para acomodar num espaço amplo, mais confortável e apropriado, os megaeventos como a Fenajeep e o Brusque Motorcycle, além de poupar aos milhares de judiados cidadãos que habitam as cercanias do pavilhão Maria Celina Vidotto Imhof as avalanches humanas e hecatombes sonoras que se abatem, sistematicamente, nos finais de semana  sôbre a área aos pés do hotel Monthez.

 Há dias a região viu-se brindada com o Brusque Motorcycle, festival de motoqueiros, o que trocado em miúdos, representou dias e noites de bate estacas, entremeadas de roncos de motores e gritos de DJ que, além de animar os participantes do evento, conseguiu fazer acontecer um forte ranger de dentes em centenas de leitos na cidade. Conta-se que, numa recente noitada de Rock’n`Roll no Centro de Eventos, alguns leitos do renomado hotel adjacente tremeram tanto que um hóspede quase caiu da cama.

Aqui cabe a pergunta: se a “Lei do Silêncio”, que veda toda e qualquer poluição sonora entre as 22h e 8h é válida também para eventos promovidos pelo poder público?

A turma do Jeep já se anunciou e deve fazer acontecer a Fenajeep de 15 a 19 de junho no pavilhão. Soube-se que os organizadores se mostraram mais do que interessados em instalar-se no Complexo Chico Wehmuth, tendo desistido pela falta de infraestrutura do local, inclusive falta de energia elétrica.

Almejamos e torcemos para que o senhor prefeito, por ora com as burras abarrotadas com a grana das pontes, consiga dar uma beliscada neste opulento orçamento para financiar os postes que deverão iluminar o Complexo Chico Wehmuth, tornando-o atraente para futuros eventos e restabelecendo uma certa e merecida tranquilidade para os arredores do controvertido Centro de Eventos.

Não me sai da cabeça a ideia de que esse Centro de Eventos, restaurado e adaptado para um Centro de Congressos, com palco, auditório, cabines de tradução simultânea, pequenas salas de reunião e cafeteria seria o local ideal para congressos nacionais e internacionais, para lotar nossos hotéis, restaurantes e comércio.

Artigos Semelhantes

  • Balancete

    E lá ja se vão 120 dias desde que “o mito” assumiu as rédeas da nação, com a incumbência de reconduzir o país, sofrido e massacrado, a um patamar de prosperidade e paz social. Infelizmente, os primeiros meses da gestão Bolsonaro mostraram-se pouco auspiciosos, vítimas que foram do amadorismo administrativo e de uma comunicação deficiente…

  • De leilões e atendimento hospitalar

    Confesso que o leilão das grandes empresas têxteis do passado me encheu de tristeza e nostalgia, pois vejo no acontecimento o último capítulo de uma vitoriosa fase da história de nossa cidade, marcada profundamente pela presença atuante dos três gigantes: Renaux, Buettner e Schlösser. Durante mais de um século a indústria têxtil brusquense foi referência…

  • Missão divina

    Jair Bolsonaro tem demonstrado nestes cinco meses à frente do poder sua fidelidade absoluta, uma submissão patológica  aos mandamentos fundamentais do populismo de direita, ignorando ou desmontando estruturas democráticas existentes, demonizando a imprensa tradicional, tentando cercear a liberdade de opinião nas universidades, alimentando quixotescas fantasias conspiratórias da esquerda contra a governabilidade de sua gestão e,…

  • Câmara na marcha à ré

    Definitivamente frustrante em nossa Câmara de Vereadores o movimento em torno da não aprovação do projeto de lei que visa proibir os legisladores eleitos de licenciar-se do mandato para assumir um cargo remunerado junto ao poder Executivo, ou seja, a prefeitura. De autoria da vereadora Ana Helena Boos, o projeto sustenta-se pela busca do aprimoramento…

  • Viagens e pepinos

    Viajar é sempre muito bom, mas voltar para casa para dormir na própria caminha é melhor ainda. Em verdade, viajar com certa regularidade tornou-se um imperativo para todos aqueles em busca do sucesso em nosso competitivo século XXI, pois além de abrir as cabeças, alarga os horizontes, desmonta preconceitos e nos leva à conclusão de…

  • Floresta bye bye

    Desde a sua posse em janeiro de 2019, o governo Bolsonaro tem manifestado repetidamente uma inegável desconsideração, quando não pouco caso, com a vasta população indígena do país. O próprio presidente brindou-nos recentemente com a “pérola” de que “o índio está evoluindo e se tornando cada vez mais um ser humano igual a nós”, afirmação…

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *